A inclusão da cana-de-açúcar na Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM), os impactos da escala 6×1 e as oportunidades para os biocombustíveis estiveram entre os principais temas da 69ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), realizada nesta terça-feira (3), em Brasília. O encontro foi conduzido pelo presidente da Câmara, Pedro Campos Neto, que também preside a Asplan e a Unida.
Um dos principais encaminhamentos foi a proposta de Pedro Campos Neto para que o MAPA e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realizem um estudo técnico sobre a inclusão da cana na PGPM. O objetivo é garantir maior segurança econômica aos produtores, especialmente diante dos custos de produção e das oscilações de mercado. Pedro destacou que, na safra 2025/2026, os preços recebidos pelos fornecedores nordestinos ficaram cerca de 30% abaixo do custo de produção. A proposta recebeu apoio do presidente da Feplana, Paulo Leal, e foi considerada pertinente pelo secretário de Política Agrícola do MAPA, Guilherme Campos, que participou da reunião.
A atualização do nome da Câmara também entrou na pauta. Pedro sugeriu a denominação Câmara Setorial da Cana-de-Açúcar e Bioenergia, ampliando a representação da cadeia para contemplar produtos como etanol, metanol, biometano e outras fontes de energia. A proposta será submetida a contribuições dos integrantes.
As perspectivas do etanol também foram discutidas, incluindo a renovação da mistura de 32% de etanol anidro na gasolina e o potencial do Bio Bunker, que utiliza etanol como combustível marítimo e abre possibilidades para novos mercados internacionais. Bruno Laviola, chefe-geral da Embrapa Agroenergia, apresentou ainda a proposta do Cana Mais Conference, previsto para 8 de dezembro, com foco em pesquisa, inovação e aproximação entre a Embrapa e o setor produtivo.
Outro assunto foi a subvenção destinada aos produtores independentes do Nordeste. Pedro esclareceu que o benefício se refere à safra 2025/2026, marcada por preços abaixo do custo de produção, impactos do tarifaço dos Estados Unidos e aumento dos custos agrícolas.
Os efeitos de possíveis mudanças na jornada de trabalho e do fim da escala 6×1 também mobilizaram os participantes. Mário Campos Filho, presidente da Bioenergia Brasil, chamou atenção para o possível aumento dos custos operacionais e a necessidade de ampliar o quadro de trabalhadores, especialmente nas atividades industriais de funcionamento contínuo. Pedro defendeu a construção de uma posição conjunta do setor, considerando as particularidades da atividade canavieira.
Ao final, foram aprovadas as datas das próximas reuniões: 31 de março, 12 de agosto e 3 de novembro de 2027. Pedro também convidou os integrantes para o evento Canasplan, promovido pela Asplan e pela Unida, em 27 de novembro, em João Pessoa, que contará com homenagens e a posse da nova diretoria da Asplan para o triênio 2026/2029.



