O presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (UNIDA), Pedro Campos Neto, fez um resumo dos principais acontecimentos da última semana que impactam diretamente o setor sucroenergético e o agronegócio brasileiro. Entre os temas abordados, ele destacou a preocupação com a nova política tarifária dos Estados Unidos, o aumento da mistura de etanol na gasolina, a aprovação da medida provisória que permitirá a renegociação das dívidas dos produtores rurais e o avanço da regulamentação da subvenção destinada aos fornecedores de cana do Nordeste.
O primeiro ponto ressaltado por Pedro Campos Neto foi o anúncio da taxação de produtos brasileiros pelos Estados Unidos. Segundo ele, a medida acendeu um sinal de alerta, especialmente para o setor sucroenergético, que vive um momento de incertezas no comércio internacional. “É uma situação que preocupa e que precisa ser acompanhada com muita atenção. É importante observar como essa decisão poderá impactar as relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos e, consequentemente, o nosso setor, especialmente no Nordeste em relação a Cota Americana do açúcar”, afirmou.
O presidente da UNIDA destacou uma notícia positiva para o segmento que foi a aprovação, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), do aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, a partir do dia 1º de agosto. A medida fortalece o mercado de biocombustíveis e amplia a demanda pelo produto nacional.
Pedro Campos Neto lembrou que o cenário atual é de elevada oferta de etanol, impulsionada pelo crescimento da produção de etanol de milho e pelo aumento da produção de etanol de cana-de-açúcar, principalmente na região Centro-Sul. “A expectativa é de um incremento de aproximadamente quatro bilhões de litros de etanol na produção deste ano. Com a ampliação da mistura do etanol anidro na gasolina, estima-se um consumo adicional de cerca de um bilhão de litros, o que representa uma excelente notícia para toda a cadeia produtiva”, explicou.
Outro destaque do balanço foi a aprovação da Medida Provisória nº 1.376, considerada uma importante conquista para o agronegócio brasileiro. A MP cria condições especiais para a renegociação das dívidas dos produtores rurais, um pleito defendido há bastante tempo pelas entidades representativas do setor. Segundo Pedro Campos Neto, a construção do acordo envolveu intenso diálogo entre o Congresso Nacional e o Governo Federal, com participação direta do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, além dos Ministérios da Fazenda e do Planejamento. “A medida permitirá que produtores rurais de todo o Brasil renegociem seus financiamentos com taxas de juros mais acessíveis, de 5% a 12% ao ano, muito inferiores às praticadas atualmente em algumas operações de crédito rural, que chegam a superar 18% ao ano”, destacou.
Ele alertou ainda que as condições oferecidas dependerão do perfil de cada produtor e dos impactos sofridos em função de fatores como queda de preços, problemas climáticos e dificuldades econômicas. As renegociações poderão ser realizadas até 12 de novembro de 2026, motivo pelo qual o presidente orienta os produtores a procurarem suas instituições financeiras o quanto antes para avaliar as condições disponíveis.
Encerrando o balanço, Pedro Campos Neto falou sobre o andamento da subvenção destinada aos fornecedores independentes de cana do Nordeste, uma reivindicação histórica liderada pelas entidades do setor. De acordo com ele, o processo de regulamentação da medida segue avançando e a expectativa é de que, em breve, os recursos possam chegar aos produtores. “A subvenção está caminhando bem, estamos na fase de regulamentação e acreditamos que, muito em breve, teremos novidades positivas para atender os produtores de cana do Nordeste, fortalecendo ainda mais a atividade”, concluiu.
Para o presidente da UNIDA, apesar dos desafios impostos pelo cenário internacional, as medidas anunciadas na última semana representam importantes avanços para o fortalecimento do setor sucroenergético e do agronegócio brasileiro, especialmente no que diz respeito ao estímulo à produção de biocombustíveis, ao acesso ao crédito e ao apoio aos produtores rurais.